Lançado o primeiro livro jurídico do Brasil sobre tokenização, voltado também a empresários

Você sabe o que nomes como Coca-Cola, Nestlé, Dolce & Gabbana, Petrobras e Visa têm em comum? Todas elas já realizaram ou estão realizando algum projeto relacionado à tecnologia da tokenização — uma nova forma de representação de bens e direitos com potencial para substituir os atuais contratos digitais.
De acordo com o Banco Central do Brasil, que recentemente lançou um projeto piloto para tokenizar o Real, a tokenização também pode ser entendida como uma forma de tornar o dinheiro programável: embutir condições contratuais no próprio uso da moeda. Mas como ficam as questões jurídicas? Tudo realmente pode ser tokenizado, de bolsas a refrigerantes?
Essas e outras perguntas são objeto de “O Guia Jurídico da Tokenização”, escrito pelos advogados Fernando Lopes e Marcella Zorzo, que abriram um escritório especializado na área, embora atuem conjuntamente desde 2019 na assessoria a empresários com projetos de tokenização.
Para Marcella Zorzo — também empresária com larga experiência no agronegócio e no uso empresarial das mídias sociais —, ignorar a tokenização hoje seria o mesmo que ignorar o comércio eletrônico no final dos anos noventa: “nenhum empresário que tenha amor por seu negócio pode ignorar a tokenização, quando basta olhar ao lado para perceber que todas as grandes empresas do mundo já estão investindo pesado nisso há pelo menos dois anos”.
Para Fernando Lopes, falta no Brasil a conscientização de que, por trás da tecnologia, está a possibilidade real de aumento de lucros e diminuição de custos de transação. “Dada a complexidade envolvida, apenas grandes empresas acabam tendo pessoal qualificado para traduzir esses impactos. Eu gostaria que mais empresas no Brasil tivessem acesso a esse conhecimento.”
Segundo os autores, a tokenização do ponto de vista técnico é apenas o primeiro passo: “o que importa mesmo é o uso da tecnologia para desintermediação dos processos de negociação — não basta tokenizar, é preciso descentralizar”. O livro também acompanha um NFT inédito, que dá ao leitor direito a atualizações e benefícios contínuos.
Fonte: Revista Perfil